sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

MEIO AMBIENTE E SEGURANÇA DO TRABALHO

Por Manoel TrajanoEngenheiro Civil e  de Segurança do Trabalho e Gás NaturalProfessor Universitário


Meio Ambiente e Segurança do Trabalho fazem parte de um mesmo contexto. A natureza está dentro e fora do homem,assim como os riscos e as proteções necessárias.O que diz respeito ao que potencialmente pode lesar o homem tambem lesa a natureza e seus elementos primordiais fauna,flora,ecossistema,cadeia alimentar,habitat,biomassa,enfim tudo.No ambiente de trabalho o meio ambiente está presente por inteiro.Hoje ainda tem um porem,temos a qualidade na frente destes aspectos e junto com eles a saude ocupaiconal do trabalhador e do cenario em que convive,respira,interage.

Na disciplina Higiene e Segurança do Trabalho entre os varios cursos que ministro aula,uma experiencia gratificante foi interagir com a turma de Gestao de Meio Ambiente do SENAI em que ao final da disciplina fui agraciado com belas apresentações em slide e trabalho escrito da Turma dedicada e comprometida que trouxe temas como SGI-Sistema de Gestao Integrada,HST e Meio Ambiente na Area Hospitalar e na Area de Saneamento Basico,alem de interaçoes da turma com a outra de Gestão em Logistica.

Como dizemos aqui na Bahia: "Foi massa!"

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O lápis

Mario Prata
Texto publicado em 07/07/2004 no jornal O Estado de S.Paulo

O lápis
Sem eletricidade pela manhã e precisando escrever um texto, procurei as canetas.
Secas, falhando ou soltando tinta demais, sabe como é? E ali estava um lápis que eu
não tenho a menor idéia de como surgiu e há quanto tempo. A ponta apontada.
Comecei a escrever com o lápis. Algumas coisas começaram a acontecer na minha
memória e no meu coração. Voltei correndo para o Grupo Escolar D. Henrique Gelain
(emérito bispo da diocese de Lins) e comecei a recordar das primeiras letras, ditadas
pela dona Gessy Beozzo, no caderno de caligrafia. Senti que a minha mão ainda fluia
bem com o lápis. Além de tudo, é higiênico.
Só que a ponta acaba. E foi com uma afiada faca de churrasco que fiz o serviço. Que
prazer, gente, fazer a ponta de um lápis. Fiz devagarzinho para não desperdiçar a
emoção da minha volta ao passado.
E me lembrei que todos nós começamos a escrever com ele. Mas, ainda com sete anos,
o sonho era começar a usar a caneta tinteiro e o mata-borrão. Mas isso era coisa para o
pessoal mais velho, do segundo ano, na classe da dona Clara. A caneta era com pena
que a gente mergulhava no tinteiro. Voltava imundo para casa. Aí o sonho era a caneta
Parker (que eu um dia escrevi aqui Park) que já vinha com tinta que a gente carregava
em casa, num mecanismo avançadíssimo.
Depois o sonho foi a Lettera 22, depois a IBM de bolinha (dava para apagar os últimos
dígitos errados) e depois veio o computador e agora o sonho é um Pentium 5. E o lápis
ficou lá atrás. Só que ele não seca, não acaba e não suja.
Aí me lembrei que existiam uns lápis que tinham uma borrachinha na outra ponta. Para
apagar erros. Não resisti, sai e comprei. Não um, mas vários. E, é claro, um apontador.
Não aqueles modernos com manivela, de mesa, mas daqueles pequenininhos, que hoje
são de plástico transparente. Na minha época não existia plástico. Eles eram de madeira
mesmo. Aproveitei e comprei uma caixa de lápis colorida. Trinta e duas cores. Uma lata
bonita.
Aí, não tendo mais o que inventar para brincar, resolvi escrever um texto com letra de
forma (porque se chama de forma?), escanear e ver se o computador reconhecia o meu
texto. Não. Não por culpa dele, mas pela minha letra mesmo que, nestas últimas
décadas, dado ao desuso, não apenas o computador não reconhece. Afinal, hoje em dia,
além de preencher cheques, para que serve escrever à mão? Como para que serve
saber somar ou subtrair se as maquininhas estão aí? Para que serve o curso primário?
É aqui que eu queria chegar. Não adianta o governo testar alunos e professores e
universidades. Vai dar sempre zebra. O buraco é bem mais embaixo senhor Ministro da
Educação. Vamos voltar ao lápis e ao dois mais dois. Vamos começar pela base. Vamos
escrever a lápis. Mesmo porque, se não der certo, a gente apaga e começa de novo.

Faz bem sonhar acordado


Thomaz Wood Jr.
13.11.2013
La science des rêves (2006) é um filme francês de verve surrealista, dirigido por Michel Gondry. O ator mexicano Gael García Bernal vive Stéphane Miroux, jovem cujos sonhos avançam frequentemente sobre a realidade. Gondry traz o espectador para o mundo de Stéphane, borrando frequentemente a linha que separa imaginação e realidade. À época do lançamento, A. C. Scott, crítico de cinema do jornal The New York Times, observou que o filme, com sua intensa peculiaridade, seu desapego às leis da física e da linguagem cinematográfica, seu desrespeito pela lógica e pela coerência, traz paradoxalmente um registro autêntico e fidedigno da vida. Jessica Lahey, em texto veiculado no website da revista The Atlantic, faz uma defesa dos encantos de sonhar acordado e, indiretamente, dos Stéphane Miroux que ainda teimam em navegar com a mente solta por uma sociedade obcecada pela objetividade. Seu foco de atenção (e preocupação) são os mais jovens: as crianças bombardeadas continuamente com estímulos e atividades, sem tempo para flanar livres pelo mundo da imaginação. Entre os mais jovens, o grande inimigo dessa saudável navegação interior são as distrações tecnológicas: a tevê, os videogames e outras armadilhas eletrônicas. A mensagem de Jessica Lahey, como a de Gondry, serve a todas as idades. Sonhar acordado é, segundo Lahey, o que ocorre quando a mente, livre das preocupações do dia a dia, vaga sem amarras entre pensamentos randômicos e memórias aleatórias. Trabalhos clássicos da Psicologia, anota a autora, situam a atividade de sonhar acordado como uma função cerebral fundamental: uma forma de pensar essencial para manter nossa saúde emocional e intelectual. Para o observador externo, pode parecer pura preguiça. No entanto, o ato de sonhar acordado se relaciona ao desenvolvimento da autoconsciência e da criatividade, à capacidade de planejamento e de improvisação, à possibilidade de reflexão profunda sobre as experiências cotidianas e ainda ao raciocínio moral. A aparência pode ser de devaneio sem rumo, porém o cérebro pode estar operando um processo neurológico complexo, sofisticado e produtivo. Viajar despreocupadamente por emoções imperfeitas e pensamentos (aparentemente) desconexos tem ainda efeito terapêutico: alivia a tensão e o estresse. Conclusões de Jessica Lahey: cultivar o silêncio e sonhar acordado é essencial. Então, sugere a autora, corte as distrações eletrônicas e reserve tempo para os devaneios, caminhe sem rumo nem fones de ouvido. O inglês Neil Gaiman, autor de romances, livros infantis e quadrinhos, declarou recentemente em uma palestra para a Reading Agency (reproduzida pelo jornal The Guardian) que o nosso futuro depende de livrarias, da leitura e da capacidade de sonhar acordado. O autor abriu sua palestra mencionando que a próspera indústria americana de construção de prisões usa como variável para a previsão da demanda (a necessidade futura de celas) o percentual de crianças com 10 e 11 anos incapazes de ler. Significativo! Para Gaiman, temos a obrigação de sonhar acordados e usar a imaginação. Essas atividades nos fazem criar mundos alternativos, que nos permitem construir o futuro. No mundo do trabalho, a atividade de sonhar acordado já teve dias melhores. Muitas organizações contemporâneas declaram amor incondicional pela criatividade e pela inovação. Paradoxalmente, continuam a refrear, disciplinar ou expelir seus sonhadores. Eles resistem como podem, sonhando acordados para enfrentar o tédio no trabalho. A Revolução Industrial e a ascensão das linhas de montagem sepultaram a criatividade e exilaram os sonhadores. À medida que o fordismo-taylorismo cruzou as fronteiras das fábricas e avançou no mundo do comércio e dos serviços, os sonhadores foram estigmatizados e encurralados. A eles foram destinados apenas os pequenos territórios e as margens. Não lhes restaram nem os territórios da cultura, cujas províncias foram significativamente rebatizadas de indústrias criativas, agora sintomaticamente unidas em torno da economia criativa. Tudo pelo mercado!

Thomaz Wood Jr. escreve sobre gestão e o mundo da administração. thomaz.wood@fgv.br