quinta-feira, 30 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011

Barcelona usa sistema subterrâneo para descartar lixo


Edição do dia 08/05/2010

08/05/2010 20h39 - Atualizado em 08/05/2010 22h45

Barcelona usa sistema subterrâneo para descartar lixo

O sistema acaba com a sujeira nas ruas, com as latas de lixo e, principalmente, com a coleta - método que custa caro e polui o meio ambiente.

Marcos LosekannBarcelona, Espanha

O Jornal Nacional está apresentando desde segunda-feira uma série de reportagens especiais sobre as soluções encontradas por muitas cidades para reaproveitar o lixo. Na última reportagem sobre o assunto, o correspondente Marcos Losekann mostra como alguns lugares da Europa revolucionaram a maneira de transportar o que é jogado nas lixeiras.

Lixo amontoado, jogado no chão e espalhado pelas ruas. Não, essa não é a realidade de pelo menos 50 cidades européias que já descobriram um jeito de varrer o lixo para debaixo da terra - tudo de forma ecologicamente correta. Em vez de latas, que dependem de coleta periódica, bocas de lixo. Através das escotilhas, os cidadãos jogam os sacos. A partir daí, começa um show de tecnologia.

Todas as bocas de lixo são conectadas a um gigantesco sistema de tubulação enterrado a, pelo menos, cinco metros da superfície. Trata-se de um grande sugador, que aspira o lixo de hora em hora, dia e noite, o ano inteiro.

Os sacos chegam a ''viajar'' a 70 quilômetros por hora embaixo da terra. O destino final é um centro de coleta, geralmente instalado na periferia da cidade. O lixo entra diretamente em um container, que depois de cheio é transportado para uma usina de triagem, ainda mais afastada da cidade. Plásticos, latas e papel são reciclados. O lixo orgânico vira combustível para mover turbinas que produzem eletricidade.

A ideia nasceu na Vila Olímpica de Barcelona, construída especialmente para os Jogos de 1992. Parecia impossível unir lixo com limpeza e higiene. Mas deu tão certo que virou exemplo para a cidade inteira. O sistema acaba com a sujeira nas ruas, com as latas de lixo e, principalmente, com a coleta - um método que geralmente custa caro e polui o meio ambiente. Pelo menos 160 caminhões de lixo deixaram de circular diariamente pelas ruas da cidade.

Um barbeiro, que sempre viveu em Barcelona, é um dos maiores defensores do sistema.
"Não tem mau cheiro, não tem o barulho insuportável dos caminhões de lixo, é tudo limpinho", ele observa. "É uma questão de inteligência e conscientização".

Nos últimos 18 anos, a prefeitura de Barcelona vem investindo sistematicamente na instalação dos tubos.

"É como o fornecimento de água, gás ou energia elétrica. A tubulação é enterrada embaixo do pavimento das ruas", explica o representante da companhia que criou o sistema. E o custo com o tempo se dilui e acaba sendo igual ou até menor do que o método tradicional de coleta.

Em Barcelona, os prédios de apartamentos construídos nas últimas duas décadas já têm o sistema instalado internamente. Os moradores nem precisam mais descer com os sacos até a rua: 70% do lixo na capital da Catalunha já são recolhidos assim. E, em cinco anos, Barcelona inteira não terá mais nenhum caminhão de coleta de lixo circulando pela cidade. Solução subterrânea que ninguém vê, mas com vantagens que, com certeza, todo mundo sente.

http://www.youtube.com/watch?v=9ubFqWL8jCU


 Fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/05/barcelona-usa-sistema-subterraneo-para-descartar-lixo.html



domingo, 19 de junho de 2011

Lançado 1º aplicativo brasileiro com conteúdos em tempo real sobre sustentabilidade


O conteúdo do EcoDesenvolvimento.org está sob Licença Creative Commons. Para o uso dessas informações é preciso citar a fonte e o link ativo do Portal EcoD. http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2011/junho/lancado-primeiro-aplicativo-brasileiro-com#ixzz1PkQGM4QS 
Condições de uso do conteúdo 
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

Lançado 1º aplicativo brasileiro com conteúdos em tempo real sobre sustentabilidade
Postado em Ciência e Tecnologia em 17/06/2011 às 15h30
por Redação EcoD
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cristiana-tana-isaac-2.jpg
O diretor comercial Cristiano Estorino e Tana Bassi, gestora de negócios e sustentabilidade da Triefe, com Isaac Edington, presidente do Instituto EcoD

O primeiro aplicativo brasileiro com informações em tempo real sobre os três pilares da sustentabilidade - social, ambiental e econômico – chegou a loja da Apple (App Store). A iniciativa do Instituto EcoDesenvolvimento e uTouchLabs, com apoio do grupo Triefe, está projetada para rodar em iPhone, iPad e iPod Touch.

aplicativo EcoD pode ser baixado gratuitamente e apresenta conteúdos inovadores sobre o desenvolvimento sustentável, casos de sucesso e dados importantes que auxiliem toda sociedade a desenvolver uma opinião crítica e, ao mesmo tempo, inspirem pessoas à ação.

O App EcoD possui quatro diferentes funcionalidades:

  • O que é o EcoD - informações sobre o Instituto e Portal EcoDesenvolvimento.org.
  • Notícias - cobertura completa das 25 editorias do Portal EcoD atualizadas em tempo real.
  • Você EcoD - um guia com dicas sustentáveis para o dia a dia dos cidadãos.
  • Biblioteca - uma reunião de documentos e manuais importantes para se aprofundar um pouco mais no universo da sustentabilidade.
http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2011/junho/lancado-primeiro-aplicativo-brasileiro-com
Fonte: 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

TERRA AMBIENTAL E A RECICLAGEM

ENQUETE

Brasil deixa de ganhar R$ 8 bi/ano por não reciclar. Você separa o lixo?

Responda em:http://atarde.com.br/

Apoio: TERRA AMBIENTAL
http://terraambiental.blogspot.com


Procure sua prefeitura e solicite a coleta em sua residência!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

SEMANA DO MEIO AMBIENTE: A PARTIR DE AGORA ADOTE NOVA POSTURA ECO-SUSTENTÁVEL



Use sacolas recicláveis
Dica: utilizando sacola retornável, você poupa recursos naturais e energia que seriam gastos para a fabricação de sacolas de papel ou de plástico. Hoje, no mundo, a produção anual de sacolas plásticas gira em torno de um trilhão. No Brasil, é de aproximadamente 12 a 18 bilhões de unidades por ano. Por mais que se produzam sacolas com tempo de degradação menor, a reutilização é, sem dúvida, a melhor opção. Utilize sacola retornável. A propósito, você já tem uma?
Dê preferência a produtos com embalagens recicláveis ou com refil
Dica: quanto menos lixo você produzir, melhor. Quanto mais desse lixo você conseguir reciclar, melhor ainda. Repense, reaproveite, recicle.
Evite consumismo exagerado
Dica: o consumo exagerado aumenta o uso dos recursos naturais e a destruição de habitats. Seja consciente. Assim, você colabora com o bem-estar das atuais e futuras gerações.
Gaste menos tempo no banho
Dica: um banho de 15 minutos consome cerca de 135 litros de água. Um de 5 minutos, apenas 45 litros. Uma torneira pingando pode gastar 2.068 litros de água em 24 horas. Banhos rápidos, torneira fechada ao ensaboar louças e consertos de vazamentos ajudam a conservar a água, um recurso essencial à vida.
Faça o descarte seletivo do seu lixo
Dica: deposite seu lixo nos locais adequados. Assim, você contribui para diminuir os "lixões" ou aterros sanitários. Lembre-se: lixo é o material considerado inútil, supérfluo, sem valor, mas parte dele pode ter utilidade.
Não jogue óleo de fritura na pia
Dica: quando o óleo de cozinha é descartado na pia, ele pode se espalhar na superfície de rios e lagos, prejudicando as espécies que vivem nesses ambientes. Evitar isso é simples: armazene o óleo em um recipiente de vidro ou garrafa pet para entregá-lo na coleta de lixo ou em postos especializados.
Opte por produtos com selo de consumo de energia
Dica: quando for comprar um fogão, geladeira ou qualquer eletrodoméstico, procure sempre pelo selo de eficiência energética. Além de beneficiar o meio ambiente, você economiza na conta, no final do mês.
Ao se afastar do seu computador, desligue o monitor
Dica: desligue o monitor no horário de almoço. E, no fim do expediente, todos os aparelhos, inclusive fotocopiadoras, impressoras, scanner etc. Em casa, o último a dormir desliga não apenas a luz, mas todos os eletrônicos.
Reduza o desperdício de energia em sua casa
Dica: o sistema de stand by é responsável por cerca de 7,5% do consumo de energia dos aparelhos eletrônicos. Então, olha a dica: não usou, desligou!
Imprima somente o indispensável
Dica: avalie se realmente é preciso imprimir, mesmo que com papel reciclado. Use sempre os dois lados da folha. Prefira a agenda para pequenas anotações.
Economize combustível do seu veículo
Dica: com atitudes simples, você pode usar menos combustível. O tamanho e a potência do veículo não são os únicos fatores importantes. Pneus calibrados e motor regulado também influenciam muito. Motoristas tranquilos são seguros no trânsito e mais ecoeficientes.
Fique atento aos temas ambientais 


Oferecimento de TERRA AMBIENTAL - http://terraambiental.blogspot.com

TERRA AMBIENTAL News




Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado
A Voz da Cidade
Cidades da região estão realizando várias atividades para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5. Em alguns municípios, as ações tiveram início na última semana e seguem até o final do mês. Em Barra Mansa, as ações começaram no ...
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Atividades marcam o Dia do Meio Ambiente
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campinas - Em comemoração ao mês do Meio Ambiente, a Prefeitura de Nova Odessa lança no dia 18/6 o 5º bosque do futuro. A área para o novo bosque está situada na Rua Niterói, no Jardim São Jorge. Serão 483 novas mudas plantadas por pais de todas as ...
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Debates da Semana de Meio Ambiente continuam até sexta-feira
Para
Os desafios da sustentabilidade ambiental no Pará, no Brasil e em todo o planeta continuam sendo debatidos no Hangar - Centro de Convenções, dentro da programação da Semana do Meio Ambiente, coordenada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), ...
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Semana do Meio Ambiente vai ter atividades em todo o PR
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TNonline
Jack Johnson planta árvore no Jardim Botânico no Dia Mundial do ...
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Hoje, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o cantor americano Jack Johnson participou do evento ambiental Eu neutralizo no Jardim Botânico, que reuniu 8.400 pessoas neste fim de semana. Chegou acompanhado da família – a mulher Kim e os três filhos ...
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Jornal do Brasil

Web5 resultados novos para MEIO AMBIENTE
 
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Em pronunciamento na noite deste domingo, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), afirmou que, ...
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Moradores organizam feira do Meio Ambiente na Barra - A TARDE On ...
A TARDE On Line, principal site de notícias do Estado da Bahia, pertencente ao maior grupo de comunicação do nordeste. Antecipar os fatos e aprofundá-los, ...
www.atardeonline.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5731491
Unir produção agrícola e meio ambiente, desafio para - Senado Federal
Izabella Teixeira falará em audiência conjunta das comissões de Agricultura (CRA ) e Meio Ambiente (CMA), um sinal claro de que a Casa quer fazer confluir os ...
www.senado.gov.br/.../senado-se-prepara-para-debate-demora...
Dia do Meio Ambiente: Da indignação, nasce a esperança ...
Dia Mundial do Meio Ambiente: 05 de junho. Eis que chega a data reservada no calendário para a conscientização sobre a importância da preservação ambiental ...
novohamburgo.org/.../dia-do-meio-ambiente-da-indignacao-n...
Pedalada musical comemora Dia Mundial do Meio ... - Estado de Minas
[FOTO1] Meio de transporte, equipamento para lazer e instrumento musi,
www.em.com.br/.../pedalada-musical-comemora-dia-mundial-...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Nova Resolução no 357 do CONAMA

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE
RESOLUÇÃO No 430, DE 13 DE MAIO DE 2011

Dispõe sobre as condições e padrões de
lançamento de efluentes, complementa e altera a
Resolução no 357, de 17 de março de 2005, do
Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA.
O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA, no uso das
competências que lhe são conferidas pelo inciso VII do art. 8o da Lei no 6.938, de 31 de agosto de
1981, regulamentada pelo Decreto no 99.274, de 6 de junho de 1990 e suas alterações, tendo em vista o
disposto em seu Regimento Interno, Anexo à Portaria no 168, de 13 de junho de 2005, resolve:
Art. 1o Esta Resolução dispõe sobre condições, parâmetros, padrões e diretrizes para
gestão do lançamento de efluentes em corpos de água receptores, alterando parcialmente e
complementando a Resolução no 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio
Ambiente-CONAMA.
Parágrafo único. O lançamento indireto de efluentes no corpo receptor deverá observar
o disposto nesta Resolução quando verificada a inexistência de legislação ou normas específicas,
disposições do órgão ambiental competente, bem como diretrizes da operadora dos sistemas de coleta
e tratamento de esgoto sanitário.
Art. 2o A disposição de efluentes no solo, mesmo tratados, não está sujeita aos
parâmetros e padrões de lançamento dispostos nesta Resolução, não podendo, todavia, causar poluição
ou contaminação das águas superficiais e subterrâneas.
Art. 3o Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados
diretamente nos corpos receptores após o devido tratamento e desde que obedeçam às condições,
padrões e exigências dispostos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis.
Parágrafo único. O órgão ambiental competente poderá, a qualquer momento, mediante
fundamentação técnica:
I - acrescentar outras condições e padrões para o lançamento de efluentes, ou torná-los
mais restritivos, tendo em vista as condições do corpo receptor; ou
II - exigir tecnologia ambientalmente adequada e economicamente viável para o
tratamento dos efluentes, compatível com as condições do respectivo corpo receptor.
CAPÍTULO I
DAS DEFINIÇÕES
Art. 4o Para efeito desta Resolução adotam-se as seguintes definições, em
complementação àquelas contidas no art. 2o da Resolução CONAMA no 357, de 2005:
I - Capacidade de suporte do corpo receptor: valor máximo de determinado poluente
que o corpo hídrico pode receber, sem comprometer a qualidade da água e seus usos determinados
pela classe de enquadramento;
II - Concentração de Efeito Não Observado-CENO: maior concentração do efluente que
não causa efeito deletério estatisticamente significativo na sobrevivência e reprodução dos organismos,
em um determinado tempo de exposição, nas condições de ensaio;
III - Concentração do Efluente no Corpo Receptor-CECR, expressa em porcentagem:
a) para corpos receptores confinados por calhas (rio, córregos, etc):
1. CECR = [(vazão do efluente) / (vazão do efluente + vazão de referência do corpo
receptor)] x 100.
b) para áreas marinhas, estuarinas e lagos a CECR é estabelecida com base em estudo
da dispersão física do efluente no corpo hídrico receptor, sendo a CECR limitada pela zona de mistura
definida pelo órgão ambiental;
IV - Concentração Letal Mediana-CL50 ou Concentração Efetiva Mediana-CE50: é a
concentração do efluente que causa efeito agudo (letalidade ou imobilidade) a 50% dos organismos,
em determinado período de exposição, nas condições de ensaio;
V - Efluente: é o termo usado para caracterizar os despejos líquidos provenientes de
diversas atividades ou processos;
VI - Emissário submarino: tubulação provida de sistemas difusores destinada ao
lançamento de efluentes no mar, na faixa compreendida entre a linha de base e o limite do mar
territorial brasileiro;
VII - Esgotos sanitários: denominação genérica para despejos líquidos residenciais,
comerciais, águas de infiltração na rede coletora, os quais podem conter parcela de efluentes
industriais e efluentes não domésticos;
VIII - Fator de Toxicidade-FT: número adimensional que expressa a menor diluição do
efluente que não causa efeito deletério agudo aos organismos, num determinado período de exposição,
nas condições de ensaio;
IX - Lançamento direto: quando ocorre a condução direta do efluente ao corpo receptor;
X - Lançamento indireto: quando ocorre a condução do efluente, submetido ou não a
tratamento, por meio de rede coletora que recebe outras contribuições antes de atingir o corpo
receptor;
XI - Nível trófico: posição de um organismo na cadeia trófica;
XII - Parâmetro de qualidade do efluente: substâncias ou outros indicadores
representativos dos contaminantes toxicologicamente e ambientalmente relevantes do efluente;
XIII - Testes de ecotoxicidade: métodos utilizados para detectar e avaliar a capacidade
de um agente tóxico provocar efeito nocivo, utilizando bioindicadores dos grandes grupos de uma
cadeia ecológica; e
XIV - Zona de mistura: região do corpo receptor, estimada com base em modelos
teóricos aceitos pelo órgão ambiental competente, que se estende do ponto de lançamento do efluente,
e delimitada pela superfície em que é atingido o equilíbrio de mistura entre os parâmetros físicos e
químicos, bem como o equilíbrio biológico do efluente e os do corpo receptor, sendo específica para
cada parâmetro.
CAPÍTULO II
DAS CONDIÇÕES E PADRÕES DE LANÇAMENTO DE EFLUENTES
Seção I
Das Disposições Gerais
Art. 5o Os efluentes não poderão conferir ao corpo receptor características de qualidade
em desacordo com as metas obrigatórias progressivas, intermediárias e final, do seu enquadramento.
§ 1o As metas obrigatórias para corpos receptores serão estabelecidas por parâmetros
específicos.
§ 2o Para os parâmetros não incluídos nas metas obrigatórias e na ausência de metas
intermediárias progressivas, os padrões de qualidade a serem obedecidos no corpo receptor são os que
constam na classe na qual o corpo receptor estiver enquadrado.
Art. 6o Excepcionalmente e em caráter temporário, o órgão ambiental competente
poderá, mediante análise técnica fundamentada, autorizar o lançamento de efluentes em desacordo
com as condições e padrões estabelecidos nesta Resolução, desde que observados os seguintes
requisitos:
I - comprovação de relevante interesse público, devidamente motivado;
II - atendimento ao enquadramento do corpo receptor e às metas intermediárias e finais,
progressivas e obrigatórias;
III - realização de estudo ambiental tecnicamente adequado, às expensas do
empreendedor responsável pelo lançamento;
IV - estabelecimento de tratamento e exigências para este lançamento;
V - fixação de prazo máximo para o lançamento, prorrogável a critério do órgão
ambiental competente, enquanto durar a situação que justificou a excepcionalidade aos limites
estabelecidos nesta norma; e
VI - estabelecimento de medidas que visem neutralizar os eventuais efeitos do
lançamento excepcional.
Art. 7o O órgão ambiental competente deverá, por meio de norma específica ou no
licenciamento da atividade ou empreendimento, estabelecer a carga poluidora máxima para o
lançamento de substâncias passíveis de estarem presentes ou serem formadas nos processos
produtivos, listadas ou não no art. 16 desta Resolução, de modo a não comprometer as metas
progressivas obrigatórias, intermediárias e final, estabelecidas para enquadramento do corpo receptor.
§ 1o O órgão ambiental competente poderá exigir, nos processos de licenciamento ou de
sua renovação, a apresentação de estudo de capacidade de suporte do corpo receptor.
§ 2o O estudo de capacidade de suporte deve considerar, no mínimo, a diferença entre os
padrões estabelecidos pela classe e as concentrações existentes no trecho desde a montante, estimando
a concentração após a zona de mistura.
§ 3o O empreendedor, no processo de licenciamento, informará ao órgão ambiental as
substâncias que poderão estar contidas no efluente gerado, entre aquelas listadas ou não na Resolução
CONAMA no 357, de 2005 para padrões de qualidade de água, sob pena de suspensão ou
cancelamento da licença expedida.
§ 4o O disposto no § 3o não se aplica aos casos em que o empreendedor comprove que
não dispunha de condições de saber da existência de uma ou mais substâncias nos efluentes gerados
pelos empreendimentos ou atividades.
Art. 8o É vedado, nos efluentes, o lançamento dos Poluentes Orgânicos Persistentes-
POPs, observada a legislação em vigor.
Parágrafo único. Nos processos nos quais possam ocorrer a formação de dioxinas e
furanos deverá ser utilizada a tecnologia adequada para a sua redução, até a completa eliminação.
Art. 9o No controle das condições de lançamento, é vedada, para fins de diluição antes
do seu lançamento, a mistura de efluentes com águas de melhor qualidade, tais como as águas de
abastecimento, do mar e de sistemas abertos de refrigeração sem recirculação.
Art. 10. Na hipótese de fonte de poluição geradora de diferentes efluentes ou
lançamentos individualizados, os limites constantes desta Resolução aplicar-se-ão a cada um deles ou
ao conjunto após a mistura, a critério do órgão ambiental competente.
Art. 11. Nas águas de classe especial é vedado o lançamento de efluentes ou disposição
de resíduos domésticos, agropecuários, de aquicultura, industriais e de quaisquer outras fontes
poluentes, mesmo que tratados.
Art. 12. O lançamento de efluentes em corpos de água, com exceção daqueles
enquadrados na classe especial, não poderá exceder as condições e padrões de qualidade de água
estabelecidos para as respectivas classes, nas condições da vazão de referência ou volume disponível,
além de atender outras exigências aplicáveis.
Parágrafo único. Nos corpos de água em processo de recuperação, o lançamento de
efluentes observará as metas obrigatórias progressivas, intermediárias e final.
Art. 13. Na zona de mistura serão admitidas concentrações de substâncias em desacordo
com os padrões de qualidade estabelecidos para o corpo receptor, desde que não comprometam os usos
previstos para o mesmo.
Parágrafo único. A extensão e as concentrações de substâncias na zona de mistura
deverão ser objeto de estudo, quando determinado pelo órgão ambiental competente, às expensas do
empreendedor responsável pelo lançamento.
Art. 14. Sem prejuízo do disposto no inciso I do parágrafo único do art. 3o desta
Resolução, o órgão ambiental competente poderá, quando a vazão do corpo receptor estiver abaixo da
vazão de referência, estabelecer restrições e medidas adicionais, de caráter excepcional e temporário,
aos lançamentos de efluentes que possam, dentre outras consequências:
I - acarretar efeitos tóxicos agudos ou crônicos em organismos aquáticos; ou
II - inviabilizar o abastecimento das populações.
Art. 15. Para o lançamento de efluentes tratados em leito seco de corpos receptores
intermitentes, o órgão ambiental competente poderá definir condições especiais, ouvido o órgão gestor
de recursos hídricos.
Seção II
Das Condições e Padrões de Lançamento de Efluentes
Art. 16. Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados
diretamente no corpo receptor desde que obedeçam as condições e padrões previstos neste artigo,
resguardadas outras exigências cabíveis:
I - condições de lançamento de efluentes:
a) pH entre 5 a 9;
b) temperatura: inferior a 40°C, sendo que a variação de temperatura do corpo receptor
não deverá exceder a 3°C no limite da zona de mistura;
c) materiais sedimentáveis: até 1 mL/L em teste de 1 hora em cone Inmhoff. Para o
lançamento em lagos e lagoas, cuja velocidade de circulação seja praticamente nula, os materiais
sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes;
d) regime de lançamento com vazão máxima de até 1,5 vez a vazão média do período
de atividade diária do agente poluidor, exceto nos casos permitidos pela autoridade competente;
e) óleos e graxas:
1. óleos minerais: até 20 mg/L;
2. óleos vegetais e gorduras animais: até 50 mg/L;
f) ausência de materiais flutuantes; e
g) Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO 5 dias a 20°C): remoção mínima de 60%
de DBO sendo que este limite só poderá ser reduzido no caso de existência de estudo de
autodepuração do corpo hídrico que comprove atendimento às metas do enquadramento do corpo
receptor;
II - Padrões de lançamento de efluentes:
TABELA I
Parâmetros inorgânicos Valores máximos
Arsênio total 0,5 mg/L As
Bário total 5,0 mg/L Ba
Boro total (Não se aplica para o lançamento em águas salinas) 5,0 mg/L B
Cádmio total 0,2 mg/L Cd
Chumbo total 0,5 mg/L Pb
Cianeto total 1,0 mg/L CN
Cianeto livre (destilável por ácidos fracos) 0,2 mg/L CN
Cobre dissolvido 1,0 mg/L Cu
Cromo hexavalente 0,1 mg/L Cr+6
Cromo trivalente 1,0 mg/L Cr+3
Estanho total 4,0 mg/L Sn
Ferro dissolvido 15,0 mg/L Fe
Fluoreto total 10,0 mg/L F
Manganês dissolvido 1,0 mg/L Mn
Mercúrio total 0,01 mg/L Hg
Níquel total 2,0 mg/L Ni
Nitrogênio amoniacal total 20,0 mg/L N
Prata total 0,1 mg/L Ag
Selênio total 0,30 mg/L Se
Sulfeto 1,0 mg/L S
Zinco total 5,0 mg/L Zn
Parâmetros Orgânicos Valores máximos
Benzeno 1,2 mg/L
Clorofórmio 1,0 mg/L
Dicloroeteno (somatório de 1,1 + 1,2cis + 1,2 trans) 1,0 mg/L
Estireno 0,07 mg/L
Etilbenzeno 0,84 mg/L
fenóis totais (substâncias que reagem com 4-aminoantipirina) 0,5 mg/L C6H5OH
Tetracloreto de carbono 1,0 mg/L
Tricloroeteno 1,0 mg/L
Tolueno 1,2 mg/L
Xileno 1,6 mg/L
§ 1o Os efluentes oriundos de sistemas de disposição final de resíduos sólidos de
qualquer origem devem atender às condições e padrões definidos neste artigo.
§ 2o Os efluentes oriundos de sistemas de tratamento de esgotos sanitários devem
atender às condições e padrões específicos definidos na Seção III desta Resolução.
§ 3o Os efluentes oriundos de serviços de saúde estarão sujeitos às exigências
estabelecidas na Seção III desta Resolução, desde que atendidas as normas sanitárias específicas
vigentes, podendo:
I - ser lançados em rede coletora de esgotos sanitários conectada a estação de
tratamento, atendendo às normas e diretrizes da operadora do sistema de coleta e tratamento de esgoto
sanitários; e
II - ser lançados diretamente após tratamento especial.
Art. 17. O órgão ambiental competente poderá definir padrões específicos para o
parâmetro fósforo no caso de lançamento de efluentes em corpos receptores com registro histórico de
floração de cianobactérias, em trechos onde ocorra a captação para abastecimento público.
Art. 18. O efluente não deverá causar ou possuir potencial para causar efeitos tóxicos
aos organismos aquáticos no corpo receptor, de acordo com os critérios de ecotoxicidade estabelecidos
pelo órgão ambiental competente.
§ 1o Os critérios de ecotoxicidade previstos no caput deste artigo devem se basear em
resultados de ensaios ecotoxicológicos aceitos pelo órgão ambiental, realizados no efluente, utilizando
organismos aquáticos de pelo menos dois níveis tróficos diferentes.
§ 2o Cabe ao órgão ambiental competente a especificação das vazões de referência do
efluente e do corpo receptor a serem consideradas no cálculo da Concentração do Efluente no Corpo
Receptor-CECR, além dos organismos e dos métodos de ensaio a serem utilizados, bem como a
frequência de eventual monitoramento.
§ 3o Na ausência de critérios de ecotoxicidade estabelecidos pelo órgão ambiental para
avaliar o efeito tóxico do efluente no corpo receptor, as seguintes diretrizes devem ser obedecidas:
I - para efluentes lançados em corpos receptores de água doce Classes 1 e 2, e águas
salinas e salobras Classe 1, a Concentração do Efluente no Corpo Receptor-CECR deve ser menor ou
igual à Concentração de Efeito Não Observado-CENO de pelo menos dois níveis tróficos, ou seja:
a) CECR deve ser menor ou igual a CENO quando for realizado teste de ecotoxicidade
para medir o efeito tóxico crônico; ou
b) CECR deve ser menor ou igual ao valor da Concentração Letal Mediana (CL50)
dividida por 10; ou menor ou igual a 30 dividido pelo Fator de Toxicidade (FT) quando for realizado
teste de ecotoxicidade para medir o efeito tóxico agudo;
II - para efluentes lançados em corpos receptores de água doce Classe 3, e águas salinas
e salobras Classe 2, a Concentração do Efluente no Corpo Receptor-CECR deve ser menor ou igual à
concentração que não causa efeito agudo aos organismos aquáticos de pelo menos dois níveis tróficos,
ou seja:
a) CECR deve ser menor ou igual ao valor da Concentração Letal Mediana-CL50
dividida por 3 ou menor ou igual a 100 dividido pelo Fator de Toxicidade-FT, quando for realizado
teste de ecotoxicidade aguda.
§ 4o A critério do órgão ambiental, com base na avaliação dos resultados de série
histórica, poderá ser reduzido o número de níveis tróficos utilizados para os testes de ecotoxicidade,
para fins de monitoramento.
§ 5o Nos corpos de água em que as condições e padrões de qualidade previstos na
Resolução nº 357, de 2005, não incluam restrições de toxicidade a organismos aquáticos não se
aplicam os parágrafos anteriores.
Art. 19. O órgão ambiental competente deverá determinar quais empreendimentos e
atividades deverão realizar os ensaios de ecotoxicidade, considerando as características dos efluentes
gerados e do corpo receptor.
Art. 20. O lançamento de efluentes efetuado por meio de emissários submarinos deve
atender, após tratamento, aos padrões e condições de lançamento previstas nesta Resolução, aos
padrões da classe do corpo receptor, após o limite da zona de mistura, e ao padrão de balneabilidade,
de acordo com normas e legislação vigentes.
Parágrafo único. A disposição de efluentes por emissário submarino em desacordo com
as condições e padrões de lançamento estabelecidos nesta Resolução poderá ser autorizada pelo órgão
ambiental competente, conforme previsto nos incisos III e IV do art. 6o, sendo que o estudo ambiental
definido no inciso III deverá conter no mínimo:
I - As condições e padrões específicos na entrada do emissário;
II - O estudo de dispersão na zona de mistura, com dois cenários:
a) primeiro cenário: atendimento aos valores preconizados na Tabela I desta Resolução;
b) segundo cenário: condições e padrões propostos pelo empreendedor; e
III - Programa de monitoramento ambiental.
Seção III
Das Condições e Padrões para Efluentes de Sistemas de Tratamento de Esgotos Sanitários
Art. 21. Para o lançamento direto de efluentes oriundos de sistemas de tratamento de
esgotos sanitários deverão ser obedecidas as seguintes condições e padrões específicos:
I - Condições de lançamento de efluentes:
a) pH entre 5 e 9;
b) temperatura: inferior a 40°C, sendo que a variação de temperatura do corpo receptor
não deverá exceder a 3°C no limite da zona de mistura;
c) materiais sedimentáveis: até 1 mL/L em teste de 1 hora em cone Inmhoff. Para o
lançamento em lagos e lagoas, cuja velocidade de circulação seja praticamente nula, os materiais
sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes;
d) Demanda Bioquímica de Oxigênio-DBO 5 dias, 20°C: máximo de 120 mg/L, sendo
que este limite somente poderá ser ultrapassado no caso de efluente de sistema de tratamento com
eficiência de remoção mínima de 60% de DBO, ou mediante estudo de autodepuração do corpo
hídrico que comprove atendimento às metas do enquadramento do corpo receptor.
e) substâncias solúveis em hexano (óleos e graxas) até 100 mg/L; e
f) ausência de materiais flutuantes.
§ 1o As condições e padrões de lançamento relacionados na Seção II, art. 16, incisos I e
II desta Resolução, poderão ser aplicáveis aos sistemas de tratamento de esgotos sanitários, a critério
do órgão ambiental competente, em função das características locais, não sendo exigível o padrão de
nitrogênio amoniacal total.
§ 2o No caso de sistemas de tratamento de esgotos sanitários que recebam lixiviados de
aterros sanitários, o órgão ambiental competente deverá indicar quais os parâmetros da Tabela I do art.
16, inciso II desta Resolução que deverão ser atendidos e monitorados, não sendo exigível o padrão de
nitrogênio amoniacal total.
§ 3o Para a determinação da eficiência de remoção de carga poluidora em termos de
DBO5,20 para sistemas de tratamento com lagoas de estabilização, a amostra do efluente deverá ser
filtrada.
Art. 22. O lançamento de esgotos sanitários por meio de emissários submarinos deve
atender aos padrões da classe do corpo receptor, após o limite da zona de mistura e ao padrão de
balneabilidade, de acordo com as normas e legislação vigentes.
Parágrafo único. Este lançamento deve ser precedido de tratamento que garanta o
atendimento das seguintes condições e padrões específicos, sem prejuízo de outras exigências
cabíveis:
I - pH entre 5 e 9;
II - temperatura: inferior a 40ºC, sendo que a variação de temperatura do corpo receptor
não deverá exceder a 3ºC no limite da zona de mistura;
III - após desarenação;
IV - sólidos grosseiros e materiais flutuantes: virtualmente ausentes; e
V - sólidos em suspensão totais: eficiência mínima de remoção de 20%, após
desarenação.
Art. 23. Os efluentes de sistemas de tratamento de esgotos sanitários poderão ser objeto
de teste de ecotoxicidade no caso de interferência de efluentes com características potencialmente
tóxicas ao corpo receptor, a critério do órgão ambiental competente.
§ 1o Os testes de ecotoxicidade em efluentes de sistemas de tratamento de esgotos
sanitários têm como objetivo subsidiar ações de gestão da bacia contribuinte aos referidos sistemas,
indicando a necessidade de controle nas fontes geradoras de efluentes com características
potencialmente tóxicas ao corpo receptor.
§ 2o As ações de gestão serão compartilhadas entre as empresas de saneamento, as
fontes geradoras e o órgão ambiental competente, a partir da avaliação criteriosa dos resultados
obtidos no monitoramento.
CAPÍTULO III
DIRETRIZES PARA GESTÃO DE EFLUENTES
Art. 24. Os responsáveis pelas fontes poluidoras dos recursos hídricos deverão realizar
o automonitoramento para controle e acompanhamento periódico dos efluentes lançados nos corpos
receptores, com base em amostragem representativa dos mesmos.
§ 1o O órgão ambiental competente poderá estabelecer critérios e procedimentos para a
execução e averiguação do automonitoramento de efluentes e avaliação da qualidade do corpo
receptor.
§ 2o Para fontes de baixo potencial poluidor, assim definidas pelo órgão ambiental
competente, poderá ser dispensado o automonitoramento, mediante fundamentação técnica.
Art. 25. As coletas de amostras e as análises de efluentes líquidos e em corpos hídricos
devem ser realizadas de acordo com as normas específicas, sob responsabilidade de profissional
legalmente habilitado.
Art. 26. Os ensaios deverão ser realizados por laboratórios acreditados pelo Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial-INMETRO ou por outro organismo
signatário do mesmo acordo de cooperação mútua do qual o INMETRO faça parte ou em laboratórios
aceitos pelo órgão ambiental competente.
§ 1o Os laboratórios deverão ter sistema de controle de qualidade analítica
implementado.
§ 2o Os laudos analíticos referentes a ensaios laboratoriais de efluentes e de corpos
receptores devem ser assinados por profissional legalmente habilitado.
Art. 27. As fontes potencial ou efetivamente poluidoras dos recursos hídricos deverão
buscar práticas de gestão de efluentes com vistas ao uso eficiente da água, à aplicação de técnicas para
redução da geração e melhoria da qualidade de efluentes gerados e, sempre que possível e adequado,
proceder à reutilização.
Parágrafo único. No caso de efluentes cuja vazão original for reduzida pela prática de
reuso, ocasionando aumento de concentração de substâncias presentes no efluente para valores em
desacordo com as condições e padrões de lançamento estabelecidos na Tabela I do art. 16, desta
Resolução, o órgão ambiental competente poderá estabelecer condições e padrões específicos de
lançamento, conforme previsto nos incisos II, III e IV do art. 6o, desta Resolução.
Art. 28. O responsável por fonte potencial ou efetivamente poluidora dos recursos
hídricos deve apresentar ao órgão ambiental competente, até o dia 31 de março de cada ano,
Declaração de Carga Poluidora, referente ao ano anterior.
§ 1o A Declaração referida no caput deste artigo conterá, entre outros dados, a
caracterização qualitativa e quantitativa dos efluentes, baseada em amostragem representativa dos
mesmos.
§ 2o O órgão ambiental competente poderá definir critérios e informações adicionais
para a complementação e apresentação da declaração mencionada no caput deste artigo, inclusive
dispensando-a, se for o caso, para as fontes de baixo potencial poluidor.
§ 3o Os relatórios, laudos e estudos que fundamentam a Declaração de Carga Poluidora
deverão ser mantidos em arquivo no empreendimento ou atividade, bem como uma cópia impressa da
declaração anual subscrita pelo administrador principal e pelo responsável legalmente habilitado,
acompanhada da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica, os quais deverão ficar à
disposição das autoridades de fiscalização ambiental.
CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 29. Aos empreendimentos e demais atividades poluidoras que, na data da
publicação desta Resolução, contarem com licença ambiental expedida, poderá ser concedido, a
critério do órgão ambiental competente, prazo de até três anos, contados a partir da publicação da
presente Resolução, para se adequarem às condições e padrões novos ou mais rigorosos estabelecidos
nesta norma.
§ 1o O empreendedor apresentará ao órgão ambiental competente o cronograma das
medidas necessárias ao cumprimento do disposto no caput deste artigo.
§ 2o O prazo previsto no caput deste artigo poderá ser prorrogado por igual período,
desde que tecnicamente motivado.
§ 3o As instalações de tratamento de efluentes existentes deverão ser mantidas em
operação com a capacidade, condições de funcionamento e demais características para as quais foram
aprovadas, até que se cumpram às disposições desta Resolução.
Art. 30. O não cumprimento do disposto nesta Resolução sujeitará os infratores, entre
outras, às sanções previstas na Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e em seu regulamento.
Art. 31. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 32. Revogam-se o inciso XXXVIII do art. 2o, os arts. 24 a 37 e os arts. 39, 43, 44 e
46, da Resolução CONAMA no 357, de 2005.
IZABELLA TEIXEIRA
Presidente do Conselho
ESSE TEXTO NÃO SUBSTITUI O PUBLICADO
NO DOU N° 92, EM 16/05/2011, pág. 89

domingo, 5 de junho de 2011

05 de Junho? DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE


Dia do Meio Ambiente e Ecologia




Cuidar é a melhor forma de preservar

No dia 05 de junho comemora-se o dia do meio ambiente.

A criação da data foi em 1972, em virtude de um encontro promovido pela ONU (Organização das Nações Unidas), a fim de tratar assuntos ambientais, que englobam o planeta, mais conhecido como conferência das Nações Unidas.

A conferência reuniu 113 países, além de 250 organizações não governamentais, onde a pauta principal abordava a degradação que o homem tem causado ao meio ambiente e os riscos para sua sobrevivência, onde a diversidade biológica deveria ser preservada acima de qualquer possibilidade.

Nessa reunião, criaram-se vários documentos relacionados às questões ambientais, bem como um plano para traçar as ações da humanidade e dos governantes diante do problema.

A importância da data é devido às discussões que se abrem sobre a poluição do ar, do solo e da água; desmatamento; diminuição da biodiversidade e da água potável ao consumo humano, destruição da camada de ozônio, destruição das espécies vegetais e das florestas, extinção de animais, dentre outros.

A partir de 1974, o Brasil iniciou um trabalho de preservação ambiental, através da secretaria especial do meio ambiente, para levar à população informações acerca das responsabilidades de cada um diante da natureza.

Mas em face da vida moderna, os prejuízos ainda estão maiores. Uma enorme quantidade de lixos é descartada todos os dias, como sacos, copos e garrafas de plástico, latas de alumínio, vidros em geral, papéis e papelões, causando a destruição da natureza e a morte de várias espécies animais.

A política de reaproveitamento do lixo ainda é muito fraca, em várias localidades ainda não há coleta seletiva; o que aumenta a poluição, pois vários tipos de lixos tóxicos, como pilhas e baterias são descartados de qualquer forma, levando a absorção dos mesmos pelo solo e a contaminação dos lençóis subterrâneos de água.

É importante que a população seja conscientizada dos males causados pela poluição do meio ambiente, assim como de políticas que revertam tal situação.

E cada um pode cumprir com o seu papel de cidadão, não jogando lixo nas ruas, usando menos produtos descartáveis e evitando sair de carro todos os dias. Se cada um fizer a sua parte o mundo será transformado e as gerações futuras viverão sem riscos.

Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola



quinta-feira, 2 de junho de 2011

Todos ganham se respeitar o AMBIENTE (2003)


De: Prof. José Monteiro Pereira
E-mail: jmassessoria@barretos.com.br




Todos ganham se respeitar o
AMBIENTE
Num texto exclusivo que foi capa da Harvard Business Review, Stuart Hart mostra que o ambiente é uma excelente oportunidade de negócio. No futuro as empresas vão vender cada vez mais soluções para os problemas ambientais. Leve na bagagem este tipo de preocupações para as suas reuniões de negócios
Por Stuart L. Hart

      A
revolução ambiental demorou quase três décadas a fazer e mudou para sempre a forma como as empresas empreendem os seus negócios. Mas o percurso trilhado parecerá pequeno quando, daqui a 30 anos, olharmos para os anos 90. Além das preocupações ecológicas, existe um enorme desafio - e uma enorme oportunidade. O desafio consiste em desenvolver uma economia global sustentável: uma economia que o planeta seja capaz de suportar indefinidamente.

Apesar de podermos estar a aproximar-nos da recuperação ecológica no mundo desenvolvido, o planeta enquanto um todo mantém-se num rumo insustentável. Para satisfazer as nossas necessidades, estamos a destruir a capacidade de as gerações futuras satisfazerem a suas.

Cada vez mais, as pilhagens do fim do século xx - solos agrícolas esgotados, pescas, florestas, poluição urbana, pobreza, doenças infecciosas e migrações - estão a ultrapassar as fronteiras geopolíticas. As raízes do problema - crescimento populacional explosivo e rápido desenvolvimento das economias emergentes - são questões políticas e sociais que ultrapassam a competência e as capacidades de qualquer empresa. Ao mesmo tempo, as empresas são as únicas organizações que têm recursos, tecnologia, alcance global e, em última instância, motivação para alcançar a sustentabilidade.

Até à data, a lógica empresarial a favor da via ecológica foi em grande medida de ordem operacional ou técnica: programas de prevenção da poluição fizeram com que se poupassem biliões de dólares. No entanto, poucos executivos compreenderam que as oportunidades ambientais se podem tornar numa importante fonte de crescimento das receitas. A via ecológica foi confinada à redução de riscos, reengenharia ou corte de custos. Raramente é associada à estratégia ou ao desenvolvimento tecnológico e por isso a maioria das empresas deixa escapar grandes oportunidades potenciais.

Mundos em colisão
Alcançar a sustentabilidade significará milhões de dólares em produtos, serviços e tecnologias actualmente quase inexistentes. Enquanto os negócios de ontem muitas vezes ignoravam o seu impacte negativo sobre o ambiente e os negócios responsáveis de hoje se esforçam para alcançar um grau zero de impacte ambiental, os negócios de amanhã têm de aprender a provocar um impacte ambiental positivo. Cada vez mais, as empresas vão vender soluções para os problemas ambientais do mundo.
Para ultrapassar a preocupação ecológica e chegar à sustentabilidade é necessário começar por desembaraçar um conjunto complexo de interdependências globais. Na realidade, a economia global é formada pela sobreposição de três economias diferentes.


a.. A economia de mercado. É o familiar mundo do comércio, incluindo quer os países desenvolvidos, quer as economias emergentes. Cerca de 1000 milhões de pessoas, um sexto da população mundial, vivem nos países desenvolvidos de economia de mercado. Estas sociedades ricas são responsáveis por mais de 75% do consumo de energia e recursos do mundo e criam grande parte dos lixos. As economias desenvolvidas deixam grandes pegadas ecológicas - a quantidade de terra necessária para satisfazer as necessidades de um consumidor comum (veja "As pegadas ecológicas que deixamos na Terra").
Não obstante esta intensa utilização de energia e materiais, os níveis de poluição são relativamente baixos nas economias desenvolvidas. Três factores são responsáveis por este aparente paradoxo: leis severas; preocupação ecológica da indústria; e a relocalização das actividades mais poluentes nas economias de mercado emergentes. Assim, até certo ponto, a actuação ecológica do mundo desenvolvido tem sido feita à custa do ambiente das economias emergentes.

Com o crescimento económico vem a urbanização. Hoje, uma em cada três pessoas vive em cidades; no ano 2025, serão duas em cada três. Os demógrafos prevêem que, nessa data, existirão mais de 30 megacidades com populações superiores a 8 milhões de pessoas e mais de 500 cidades com mais de 1 milhão de habitantes. A urbanização nesta escala apresenta enormes desafios ambientais e infra-estruturais.

Uma vez que a industrialização inicialmente se concentrou nos produtos utilitários e nas indústrias pesadas, as actividades mais poluentes, as cidades de muitas economias emergentes sofrem de opressivos níveis de poluição. A chuva ácida é um problema crescente, especialmente nos locais onde a combustão de carvão não é regulamentada. O Banco Mundial estima que em 2010 existirão mais de 1000 milhões de veículos motorizados em todo o mundo. Concentrados nas cidades, eles duplicarão os actuais níveis de utilização de energia e emissões de gás de estufa.


            As pegadas ecológicas que deixamos na Terra
            a.. Nos Estados Unidos, são necessários 4,9 hectares (1 hectare equivale sensivelmente à área de um campo de futebol) para fornecer as necessidades diárias básicas de uma pessoa média; na Holanda, 3 hectares; na Índia 0,4 hectares. A pegada ecológica holandesa cobre 15 vezes a área do seu território, enquanto a pegada ecológica indiana excede a área do país em apenas cerca de 35%. Mais notório é o facto de que, se todo o mundo vivesse como os norte-americanos, seriam necessários três planetas Terra para satisfazer a actual população mundial.
           

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            Fonte: Donella Meadows, Our Footprints are Treading too much Earth, Charleston (S:C.) Gazette, 1 Abril de 1996. 
    



a.. Economia de sobrevivência. Abarca o tradicional modo de vida das aldeias, encontrada nas zonas rurais da maioria dos países desenvolvidos. É formada por cerca de 3 mil milhões de pessoas - principalmente africanos, indianos e chineses - orientadas para a subsistência e satisfazendo as suas necessidades básicas directamente da natureza. Os demógrafos concordam que a população mundial, crescendo cerca de 90 milhões de pessoas por ano, irá duplicar nos próximos 40 anos. Os países em vias de desenvolvimento serão responsáveis por 90% do crescimento, que ocorrerá principalmente nas economias de sobrevivência.
Em parte devido à rápida expansão da economia de mercado, a existência na economia de sobrevivência está a tornar-se cada vez mais precária. As indústrias extractivas e o desenvolvimento de infra-estruturas, em muitos casos, degradaram os ecossistemas dos quais a economia de sobrevivência depende. As populações rurais são conduzidas a uma pobreza ainda maior, competindo por recursos naturais escassos. As mulheres e crianças actualmente passam, em média, de quatro a seis horas por dia à procura de lenha e quatro a seis horas por semana a retirar e transportar água.

As pressões de sobrevivência de curto prazo frequentemente forçam estas populações rurais em rápido crescimento a práticas que, a longo prazo, causam danos às florestas, solos e água. Quando a madeira escasseia, as pessoas usam estrume como combustível, um dos maiores - e menos conhecidos - perigos ambientais do mundo de hoje. A água para consumo contaminada é também um problema grave. A Organização Mundial de Saúde estima que queimar estrume e beber água contaminada provocam anualmente cerca de 8 milhões de mortos.

À medida que se vai tornando cada vez mais difícil viver da terra, milhões de pessoas desesperadas emigram para cidades já sobrepovoadas. Estima-se que, na China, cerca de 120 milhões de pessoas andam de cidade em cidade, sem terra nem trabalho, tendo abandonado as suas aldeias devido ao desflorestamento, erosão dos solos, cheias ou secas. A nível mundial, o número de refugiados ambientais poderá atingir 500 milhões de pessoas.


a.. Economia da natureza. É formada pelos sistemas e recursos naturais que apoiam as economias de mercado e de sobrevivência. Os recursos não renováveis (como petróleo, metais e outros minerais) são finitos. Os recursos renováveis (como solos e florestas) reabastercer-se-ão caso a sua utilização não exceda limites críticos. As inovações tecnológicas criaram substitutos para muitos recursos não renováveis. Hoje a fibra óptica substitui o fio de cobre. Nas economias desenvolvidas, a procura de alguns materiais virgens poderá diminuir nas décadas vindouras, graças à reutilização e à reciclagem.
Ironicamente, a maior ameaça ao desenvolvimento sustentável é o esgotamento dos recursos renováveis. Florestas, solos, água e pescas estão a ser empurrados para além dos limites, devido ao crescimento populacional e desenvolvimento industrial. Na próxima década, a falta de água poderá vir a ser o problema mais vexatório do mundo desenvolvido, devido ao aumento da utilização agrícola, comercial e doméstica. Mais de 10% da camada superior do solo a nível mundial sofreram um sério desgaste. Os terrenos de cultivo e de pasto estão a diminuir. Como consequência, a produção de cereais e carne per capita atingiu valores máximos e começou a decrescer durante os anos 80. As 18 maiores áreas de pesca oceânica do mundo atingiram os seus índices máximos de rendimento sustentável.

Estima-se que a humanidade está a utilizar mais de 40% da produtividade primária líquida do planeta. Em resumo, a actividade humana hoje ultrapassa a sustentabilidade à escala global.

Um americano comum consome 17 vezes mais do que um mexicano (economia emergente) e centenas de vezes mais do que um etíope (economia de sobrevivência). Os níveis de consumo dos Estados Unidos exigem grandes quantidades de matérias-primas e bens utilitários. Cada vez mais, as primeiras vêm das economias de sobrevivência; e os segundos são produzidos nas economias emergentes. À medida que nos aproximamos do século xxi, a interdependência das três esferas económicas é cada vez mais evidente. As três economias tornaram-se mundos em colisão, criando os maiores desafios sociais e ambientais do planeta: mudança de clima, poluição, esgotamento dos recursos, pobreza e desigualdade.


            3 doenças que ameaçam a saúde do planeta
          
              Poluição Esgotamento dos recursos Pobreza

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            Economias
            Desenvolvidas   a.. Gases de estufa
            a.. Uso de matérias tóxicas
            a.. Contaminação
           a.. Escassez de materiais
            a.. Reuso e reciclagem insuficientes
           a.. Desemprego urbano e das minorias
          

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            Economias
            emergentes a.. Emissões industriais
            a.. Contaminação das águas
            a.. Falta de tratamento dos esgotos
           a.. Sobreexploração dos recursos renováveis
            a.. Uso exaustivo de água para irrigação
           a.. Migração para as cidades
            a.. Falta de trabalhadores qualificados
            a.. Desiguadades de rendimento
          

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            Economias de
            sobrevivência a.. Combustão de estrume e madeira
            a.. Falta de infra-estruturas sanitárias
            a.. Destruição do ecossistema devido ao desenvolvimento
           a.. Deflorestação
            a.. Sobrepastagem
            a.. Perda de solos
           a.. Crescimento populacional
            a.. Baixo estatuto da mulher
            a.. Deslocação
          

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Estratégias sustentáveis
Há quase três décadas, ambientalistas como Paul Ehrlich e Barry Commoner fizeram esta simples mas importante afirmação sobre o desenvolvimento sustentável: a carga ambiental total (CAT) criada pela actividade humana é o produto de três factores - população (P), afluência (A), que é equivalente ao consumo, e tecnologia (T), que é a forma como a riqueza é criada. Pode ser expresso através da fórmula: CAT = P x A x T.
Para alcançar a sustentabilidade é necessário estabilizar ou reduzir a carga ambiental. Isso pode ser conseguido através da redução da população mundial e do nível de consumo ou da alteração fundamental da tecnologia usada para a criação da riqueza. A redução da população humana não parece exequível sem medidas políticas draconianas ou a ocorrência de uma crise de saúde pública que origine uma mortalidade em massa.

Fazer descer o nível de consumo, só aumentaria o problema, porque a pobreza e o crescimento populacional andam de mãos dadas. Assim, para estabilizar a população humana seria necessário melhorar a educação e o nível económico dos pobres, particularmente o das mulheres em idade fértil. A economia mundial terá de crescer cerca de dez vezes apenas para satisfazer as necessidades básicas de uma população constituída por 8 a 10 mil milhões de pessoas.

O que nos deixa apenas a terceira opção: mudar a tecnologia usada para criar os bens e serviços que constituem a riqueza do mundo. Se a actividade económica tem de aumentar dez vezes apenas para fornecer o essencial a uma população duas vezes maior, então a tecnologia teria de melhorar 20 vezes apenas para manter os níveis de carga ambiental actual do planeta.

Os que acreditam que o desastre ecológico será evitado devem ainda avaliar as implicações comerciais desta crença: durante a próxima década, o desenvolvimento sustentável será uma das maiores oportunidades da história do comércio. Porém, poucas empresas incorporaram a sustentabilidade no seu pensamento estratégico. Tomando todo o planeta como o contexto em que se movem, as empresas devem perguntar se fazem parte da solução para os problemas sociais e ambientais; ou se são parte do problema. Só assim é que podem começar a desenvolver uma visão de sustentabilidade, necessária para as conduzir através das três etapas da estratégia ambiental.


            O portfólio do desenvolvimento sustentável
          
              Tecnologia limpa Visão de sustentabilidade
            Amanhã     a.. A performance ambiental dos nossos produtos está limitada pela actual base de competências?
            a.. Há potencial para realizar melhorias importantes através de novas tecnologias?
           a.. A nossa visão empresarial conduz-nos para a solução de problemas ambientais e sociais?
            a.. A nossa visão orienta o desenvolvimento de novas tecnologias, mercados, produtos e processos?
          

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              Prevenção da poluição Gestão de Produto
            Hoje a.. Quais são os resíduos e emissões mais importantes das nossas operações?
            a.. Podemos baixar os custos e riscos através da eliminação de resíduos na fonte ou usá-los como matéria-prima?
           a.. Quais serão as implicações para o design e desenvolvimento do produto se assumirmos a responsabiidade pelo seu ciclo de vida completo?
            a.. Podemos acrescentar valor ou reduzir os custos baixando simultaneamente o impacte dos nossos produtos?
          

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              Interno Externo
              Esta simples ferramenta de diagnóstico pode ajudar as empresas a determinar se a sua estratégia é consistente com a sustentabilidade. Em primeiro lugar, avalie a capacidade da sua empresa em cada um dos quatro quadrantes, respondendo às questões em cada uma das caixas. Depois, classsifique-se de acordo com a seguinte escala, para cada um dos quadrantes: 1 - Inexistente; 2 - A surgir; 3 - Estabelecido; 4 - Institucionalizado.
                  A maioria das empresas recai no quadrante inferior esquerdo, reflectindo investimentos na prevenção da poluição. No entanto, sem investimento em tecnologias e mercados de futuro (a parte superior do portfólio), a estratégia ambiental da empresa não estará a dar satisfação às necessidades que surgirão.
           Um portfólio pouco equilibrado é um mau prenúncio: uma concentração na parte inferior sugere uma boa posição presente, mas uma grande vulnerabilidade futura. Uma concentração nos quadrantes superiores indica uma visão de sustentabilidade sem as competências operacionais e analíticas necessárias à sua implementação. Um portfólio desviado para o lado esquerdo demonstra preocupação em lidar com o desaafio ambiental através de iniciativas tendentes à melhoria interna dos processos e ao desenvolvimento da tecnologia. Finalmente, um portfólio muito desviado para a direita, embora muito aberto, corre o risco de ser considerado uma lavagem verde, porque as operações fabris e a tecnologia de base ainda causam danos ambientais significativos.
          
    


Etapa um - Prevenção da poluição. A primeira etapa para a maior parte das empresas consiste em mudar do controlo da poluição (limpar o lixo depois de ele ter sido criado) para a sua prevenção (minimizar ou eliminar o lixo antes de ele ser criado), o que depende de esforços de melhoria contínua. Esta transformação é orientada por uma lógica sedutora: a prevenção da poluição compensa. Os novos padrões globais para os sistemas de gestão ambientais (o ISO 14 000, por exemplo) criaram fortes incentivos para as empresas desenvolverem capacidades deste tipo.

As economias emergentes não podem repetir todos os erros ambientais do desenvolvimento ocidental. Com o imperativo da sustentabilidade em mente, a BASF, a gigante química alemã, está a ajudar a projectar e construir indústrias químicas menos poluentes na China, Índia, Indonésia e Malásia. Ao reunir instalações que no Ocidente estavam geograficamente dispersas, a BASF consegue criar ecossistemas em que os detritos de um processo se tornam matérias-primas de outros. O posicionamento resolve um problema comum no Ocidente, onde a reciclagem dos detritos é muitas vezes impraticável devido ao preço e perigo do seu transporte.

Etapa dois - Gestão do produto. A gestão do produto baseia-se em minimizar não só a poluição durante a produção, como ainda todos os impactes ambientais associados ao ciclo de vida completo de um produto. Como as empresas na etapa um se aproximam do nível zero de emissões, reduzir a utilização de materiais e produção de lixo requer mudanças fundamentais no planeamento do produto e processos subjacentes.

O design para o ambiente (DPA), um instrumento para a criação de produtos mais fáceis de recuperar, reutilizar ou reciclar, está a tornar-se cada vez mais importante. Com o DPA, todos os efeitos que um produto possa ter para o ambiente são examinados durante a fase de concepção. A análise de todo o ciclo de vida começa e acaba fora das fronteiras operacionais da empresa - inclui uma avaliação completa de todos os inputs do produto e analisa a forma como os clientes o usam e o deitam fora. A Dow Chemical utilizou pela primeira vez um painel de técnicos ambientais e representantes externos a nível da administração para ajudar os seus esforços de gestão do produto.

Ao reduzir os níveis de consumo de materiais e de energia, o DPA pode ser altamente rentável. A gestão do produto é uma forma de reduzir o consumo nas economias desenvolvidas. Pode ainda ajudar a busca da sustentabilidade, uma vez que os países em vias de desenvolvimento muitas vezes tentam copiar o que vêem nos países desenvolvidos. Convenientemente executada, a gestão do produto oferece ainda potencial para o aumento das receitas através da diferenciação do produto.

A evolução da prevenção da poluição para a gestão do produto está a acontecer em multinacionais como a Dow, DuPont, Monsanto, Xerox, ABB, Philips e Sony.

Etapa três - Tecnologia limpa. As empresas viradas para o futuro podem começar a planear e investir nas tecnologias de amanhã. O que acontece é que a base da tecnologia existente em muitas indústrias não é ambientalmente sustentável.

A Monsanto é uma companhia que está a desenvolver novas competências de uma forma consciente. Está a mudar a base do seu negócio agrícola dos químicos para a biotecnologia. A aposta na bioengenharia das culturas em vez da aplicação de pesticidas químicos ou fertilizantes representa uma via sustentável para rendimentos agrícolas maiores.

As economias emergentes da Ásia necessitam desesperadamente de tecnologias limpas. Mas precisamente devido ao crescimento da produção ser tão elevada existem oportunidades sem precedentes para substituir produtos e tecnologias de processos por outros mais limpos.




É preciso uma visão
A prevenção da poluição, a gestão do produto e a tecnologia limpa fazem as empresas avançar em direcção à sustentabilidade. No entanto, se não existe uma moldura que oriente estas actividades, o seu impacte dissipar-se-á. Uma visão de sustentabilidade para uma indústria e empresa é um mapa de estradas para o futuro, mostrando a forma como os produtos e serviços devem evoluir e quais as novas competências para lá chegar. Poucas empresas actualmente possuem um mapa de estradas desse tipo. Ironicamente, na indústria química, que há uma década era vista como a maior malfeitora, encontramos hoje das poucas grandes empresas que encararam seriamente o desenvolvimento da sustentabilidade.
Consideremos a indústria automóvel. Nos anos 70, as regulamentações governamentais relativamente às emissões dos tubos de escape obrigaram a indústria a concentrar-se no controlo da poluição. Nos anos 80, a indústria começou a tratar da prevenção da poluição. Iniciativas como as regras Corporate Average Fuel Efficiency e o Toxic Release Inventory levaram as empresas a analisar a concepção dos seus produtos e processos de fabrico a fim de economizar energia e reduzir as emissões das suas fábricas.

Nos anos 90, assistimos aos primeiros sinais de administração do produto. Na Alemanha, a lei de retoma, de 1990, exige que os fabricantes de automóveis assumam a responsabilidade pelos seus veículos no final da sua vida útil. Empresas inovadoras como a BMW mudaram o design do seus novos carros devido ao esforços de design para desmontagem. Consórcios a nível industrial, como a Associação para uma Nova Geração de Veículos, são basicamente orientados por uma lógica de gestão de produto que consiste em reduzir o impacte ambiental dos carros durante o seu ciclo de vida.

As primeiras tentativas para promover a tecnologia limpa incluem iniciativas como a lei californiana de zero emissões para os veículos e a Climate Change Convention das Nações Unidas destinada a limitar os gases de estufa a uma escala global. Mas os esforços iniciais por parte dos responsáveis das indústrias foram incrementais - por exemplo, os veículos movidos a gás natural - ou de carácter defensivo. Os programas de concepção de veículos eléctricos, por exemplo, foram utilizados para demonstrar a inviabilidade desta tecnologia, não para conduzir a indústria a uma tecnologia fundamentalmente mais limpa. Apesar da indústria automóvel ter progredido, falta-lhe sustentabilidade.

Vamos recuar e tentar imaginar uma visão sustentável para a indústria. O crescimento dos mercados emergentes dará origem a grandes necessidades de meios de transporte nas décadas vindouras. Já começou a corrida para assegurar posições na China, Índia e América Latina. Mas qual será a forma que esta oportunidade assumirá?

Consideremos o potencial impacte dos automóveis apenas na China. Hoje há menos de 1 milhão de carros na China. No entanto, com uma população superior a 1000 milhões de pessoas, seria necessário uma penetração de mercado inferior a 30% para igualar a actual dimensão do mercado americano (12 a 15 milhões de unidades vendidas anualmente). Em última instância, a China poderia necessitar anualmente de 50 milhões de unidades ou mais. Uma vez que as infra-estruturas de energia e transporte na China estão a ser definidas, existem ainda oportunidades para o desenvolvimento de uma tecnologia limpa com importantes benefícios ambientais e competitivos.

Amory Lovins, do Rocky Mountain Institute, demonstrou a viabilidade da construção de hipercarros - veículos totalmente recicláveis, 20 vezes mais eficazes em termos de energia, 100 vezes mais limpos e mais baratos do que os carros actuais. Estes veículos mantêm a segurança e desempenho dos carros convencionais mas conseguem uma simplificação radical através da utilização de materiais compostos de baixo peso, menos peças, protótipos virtuais, sistema de travagem regenerativo e motores híbridos muito pequenos. Os hipercarros, mais semelhantes a computadores sobre rodas do que carros com microchips, podem tornar obsoleta a maioria das competências associadas com o actual fabrico de carros.

Uma estratégia ambiental clara e totalmente integrada deveria não só orientar o desenvolvimento de competências, como ainda moldar o relacionamento da empresa com os clientes, fornecedores, outras empresas, legisladores e todos os interessados. As empresas podem e devem mudar a forma de pensar dos clientes, criando preferência por produtos e serviços consistentes com a sustentabilidade. As empresas devem tornar-se educadoras em vez de meras vendedoras de produtos.

Para os executivos de topo, abraçar a busca da sustentabilidade pode equivaler a um salto de fé. Alguns poderão sentir que os riscos associados com o investimento em mercados instáveis ultrapassam os potenciais benefícios. Outros reconhecerão o poder desta positiva missão para galvanizar as pessoas da sua organização.

Independentemente das suas opiniões sobre a sustentabilidade, os executivos não poderão manter a cabeça enterrada na areia durante muito mais tempo. Desde 1980, o investimento estrangeiro directo das empresas multinacionais aumentou de 500 mil milhões de dólares para quase 3 mil biliões de dólares por ano. Na realidade, hoje ultrapassa os valores da ajuda oficial para o desenvolvimento nos países em vias de desenvolvimento. Com o crescimento do comércio livre, a próxima década poderá assistir ao aumento deste valor para outra ordem de magnitude. Os desafios apresentados por mercados emergentes na Ásia e na América Latina exigem uma nova forma de conceptualizar as oportunidades negociais. O crescimento rápido das economias emergentes não pode ser mantido em face da crescente deteriorização ambiental, pobreza e esgotamento de recursos. Na próxima década, as empresas terão de desenvolver tecnologias limpas e implementar estratégias capazes de reduzir drasticamente a carga ambiental no mundo em vias de desenvolvimento, aumentando ao mesmo tempo a sua riqueza e nível de vida.

Gostemos ou não, a responsabilidade de assegurar um mundo sustentável recai em grande parte sobre os ombros das empresas, motores económicos do futuro. As inovações da política pública (a nível nacional e internacional) e as mudanças nos padrões de consumo individuais serão necessárias para alcançar a sustentabilidade. Porém, as empresas podem e devem ser as primeiras a abrir caminho, ajudando a moldar a política pública e os comportamentos dos consumidores. Numa análise final, é bom negócio seguir estratégias para uma mundo sustentável.


            Uma árvore de esperança no meio da floresta 
            "A pobreza é um dos maiores poluentes do mundo", assegura Erling Lorentzen, o fundador da Aracruz Celulose, a empresa brasileira que é a maior produtora de pasta de eucalipto do mundo. "Não podemos esperar que quem não come uma refeição decente se preocupe com o ambiente."
            Desde a sua fundação, a Aracruz foi construída em torno de uma visão de desenvolvimento sustentado. Para restaurar a economia da natureza, a empresa no final dos anos 60 tirou partido de incentivos fiscais para a plantação de árvores. Ao reflorestar o que antes se tornara uma terra altamente degradada, inadequada para a agricultura, a empresa resolveu um problema ambiental fundamental. Simultaneamente, criou uma fonte de fibra para as suas operações, com enormes vantagens em termos de custo e qualidade.

            Cedo também a Aracruz atacou o problema da pobreza. Todos os anos a empresa distribui milhões de eucaliptos aos agricultores locais, numa estratégia tendente a evitar o esgotamento da floresta para combustível e madeira. A Aracruz tem também um envolvimento de longo prazo na melhoria das capacidades dos trabalhadores. Nos primeiros anos conseguiu contratar pessoas na zona com salários muito baixos, devido à sua situação desesperada. Mas, em lugar de explorar a situação de disponibilidade de abundante mão-de-obra barata, embarcou numa agressiva estratégia de investimento social, gastando 125 milhões de dólares no apoio à criação de hospitais, escolas, habitação e um centro de formação para os trabalhadores. De facto, até muito recentemente a Aracruz gastara mais em investimentos sociais do que em saláriios. Desde então, o nível de vida melhorou tão drasticamente quanto a produtividade.
          

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            Fonte: Marguerite Rigogliosos, "Stewards of The Seventh Generation", Harvard Business School Bulletin, Abril 1996.