quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Adequação a norma ambiental traz novas chances no Estado


DA REDAçãO 08/11/2010 16h21

Conciliar o desenvolvimento econômico com a conservação do meio ambiente é um ideal bastante difundido na atualidade. No entanto, de acordo com o consultor do Sebrae, Nelson de Almeida Junior, poucas são as empresas que de fato buscam a qualidade de gestão ambiental. "Empresas mais antigas no mercado pertencem a um tempo em que não havia o mesmo comprometimento com o meio ambiente que hoje. No entanto, garantir práticas sustentáveis pode possibilitar diversos benefícios para a empresa".

Almeida presta consultoria especializada para empresários que desejam adquirir a licença ambiental, um documento exigido pela Lei nº 6.938 para atividades que podem causar danos à natureza - seja no uso do espaço, como no turismo e hotelaria, seja na exploração e destinação de dejetos. "Não se trata apenas de seguir a legislação, mas de estar apto a fechar contrato com novos clientes", relata. "Muitas empresas, em especial às com capital na bolsa de valores, têm como exigência que os empreendimentos terceirizados possuam este documento".

Esta situação foi o que vivenciou a WMI, empresa de manutenção industrial de Corumbá. Segundo seu proprietário, Marcos Tudela Junior, "foi devido à licença ambiental que conseguimos vencer o pregão da Marinha do Brasil. Estávamos em terceiro lugar, mas só nós possuíamos o documento". A atividade, no caso, era a limpeza dos tanques de combustível dos navios. "O normal é que todo óleo residual fosse jogado direto no Rio Paraguai. Nós armazenamos tudo", conta.


Tirando a licença

Para conseguir a licença, a empresa pagou uma taxa de R$ 400 para a prefeitura. No entanto, os verdadeiros gastos ficam por conta da adequação às boas práticas ambientais. É o que expõe Lourival Vieira Costa, proprietário da Sulocana – empresa que atua na limpeza e manutenção de veículos. "No início, não sabíamos o que fazer com o óleo que sobrava. Tivemos que investir numa solução e hoje trabalhamos com resíduo zero. Tudo que sobra vira subproduto".

O empresário encontrou uma empresa licenciada que compra os galões de óleo usados, e conseguiu transformar o que seria dejeto em lucro. Além disso, passou a separar os metais vendidos como sucata. "Assim, eu consigo vender só o que é alumínio - por exemplo - e consigo um preço 20 vezes maior do que tudo misturado".

Outra possibilidade que a consciência ambiental traz para o empreendedorismo é a aposta em empresas que investem em atividades sustentáveis. Percebendo a abertura desse nicho de mercado, o empresário Paulo Cezar Gonçalves, abriu em 2004 a Toalheiro Campo Grande. "Quando você trabalha em determinados segmentos, uniformes, luvas e botas precisam de uma lavagem especializada para impedir que os resíduos sejam despejados no meio ambiente. Nós separamos os efluentes e reutilizamos a água nas máquinas de lavar", relata. A empresa, que no início somava no máximo 80 clientes, atende hoje a mais de 300 empreendimentos que se adequaram às normas legais.

Esta adequação está se expandindo em Três Lagoas, onde um grupo de 23 empresas do setor automotivo recebe consultoria em sustentabilidade com financiamento do programa Sebraetec. Este recurso, segundo a técnica da Unidade de Acesso à Inovação do Sebrae, Cristiane Nunes, pode cobrir até 90% da despesa. "Qualquer empresário pode acessar o Sebraetec para receber consultorias e identificar as alternativas possíveis para as boas práticas ambientais em seu empreendimento", expõe.


Fonte: http://www.correiodoestado.com.br/noticias/adequacao-a-norma-ambiental-traz-novas-chances-no-estado_84090/



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