quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ambientalistas e ruralistas divergem em relação a mudanças no Código Florestal Brasileiro


Polêmica

 

Publicada em 08/06/2010 às 13h12m

Isabel Braga

BRASÍLIA - A sessão em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente acabou se transformando em um debate sobre as modificações do Código Florestal Brasileiro. De um lado, parlamentares ambientalistas criticando o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que será apresentado nesta terça-feira na comissão especial que analisou as mudanças. De outro, representantes da comissão, reagindo às críticas. ( Ouça trecho da entrevista do relator do projeto de mudanças no Código Florestal Brasileiro, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) )

Ex-ministro do Meio Ambiente, o deputado Sarney Filho (PV-MA) disse que o Brasil, país mais biodiverso do mundo, instituiu seu Código Florestal em 1934, com diversas medidas de proteção dos nossos ecossistemas, inclusive a manutenção de 25% do imóvel rural privado com cobertura vegetal nativa. E que, de lá para cá, o Brasil vem aperfeiçoando a legislação. Sarney Filho enfatizou que teme que o Brasil dê "um passo para trás ", numa referência à proposta de mudança do Código Florestal em debate na Câmara, porque está mais preocupado em garantir o plantio no país do que em preservar o meio ambiente. ( Leia mais: MPE pede cassação do mandato de Sarney Filho )

O deputado do PV criticou o fato de os ambientalistas, ao contrário de integrantes da Comissão Especial do Código Florestal, não terem tido acesso ao relatório elaborado pelo deputado Aldo Rebelo.

- Para nós, (a proposta) é secreta. Para os ruralistas, não é mais secreta, já foi discutida, inclusive já foi aperfeiçoada, mas, para nós, ambientalistas, continua sendo secreta - queixou-se Sarney Filho, lendo em seguida artigo assinado por pesquisadores e especialistas em ecologia de universidades paulistas, com críticas ao relatório Aldo.

Sarney Filho conclamou a sociedade civil organizada a questionar os partidos políticos e os presidenciáveis para que se pronunciem sobre a votação do relatório na comissão:

- Os presidenciáveis têm de dizer se estão de acordo com o que os seus partidários estão votando na comissão especial. É preciso que os partidos que apoiam esses candidatos também decidam se querem ou não cometer esse retrocesso na legislação ambiental. Ela é inoportuna, porque estamos às vésperas de uma eleição. Está contaminada pelo sentimento eleitoral, pela emoção.

O presidente da comissão especial, deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), rebateu Sarney Filho:

- Em nome do meu partido, o PMDB, vim aqui, neste momento, dizer à nação que discordo plenamente da agressão do deputado Zequinha Sarney. Presido a comissão, e, pela primeira vez, esta Casa discute o meio ambiente brasileiro, o Código Florestal. Não é secreto, Sr. presidente. V.Exa. tem participado de várias audiências públicas. Discutimos isso com o Brasil.

Micheletto disse que a comissão foi criada em setembro do ano passado e, de lá para cá, realizou 64 audiências em todo o Brasil, uma delas no Maranhão. Mas que Zequinha Sarney não compareceu para expor seu ponto de vista. Micheletto acrescentou ainda:

- O agricultor brasileiro não é bandido, o agricultor brasileiro não é vil. Ele ajuda o meio ambiente neste país. Portanto, viemos aqui dizer a V.Exa. que discordamos dessa agressão. Quero convidá-lo para conhecer o relatório do nosso Deputado Aldo Rebelo. Estamos aqui para defender o Brasil, o meio ambiente e também o poder produtivo.
 

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