segunda-feira, 15 de junho de 2009

O PERIGO DOS FOGOS CLANDESTINOS NO RECÔNCAVO BAIANO

Foto:Lúcio Távora/Agência A TARDE
COMENTÁRIO DO AUTOR DO BLOG:
Infelizmente a minha cidade,tao famosa pelo seu comercio bom,barato e de qualidade ficou manchada por esta tragédia que ficou na impunidade deste "empresário" que se aproveita de pessoas excluídas do mercado(menores,negros,grávidas,etc). O poder do dinheiro sustenta esta triste realidade que sufocou até cooperativas que o Governo do Estado ha alguns anos tentou mudar atraves de programa especifico e seguro.O exército se mostra inerte face a esta realidade triste em que as etapas da fabricação sao espalhadas em varias partes da regiao o que dificulta a apreensão e controle.

14/06/2009 às 22:38
Fogos clandestinos são fator de risco no São João
Valmar Hupsel Filho, do A TARDE
Lúcio Távora/Agência A TARDE

Homem exibe bomba em fábrica clandestina na zona rural da cidade de Muniz Ferreira
Quase nada mudou na região de Santo Antônio de Jesus desde 11 de dezembro de 1998 – quando a cidade ganhou fama mundial devido à explosão em uma fábrica clandestina de fogos. Morreram 64 pessoas (20 delas menores de 18 anos e três mulheres grávidas). Dez anos e meio depois, os responsáveis pela fábrica – o empresário Osvaldo Prazeres Bastos, o Vado dos Fogos, e seus cinco filhos – sequer foram julgados.

Sem alternativas, centenas de trabalhadores, inclusive crianças, continuam fabricando fogos em condições que não respeitam normas de segurança ou trabalhistas, aumentando o risco de novos acidentes. Em meio ao descaso dos poderes públicos, uma constatação chocante: grande parte dos chamados “traques de riscar”, usados largamente nas festas juninas baianas, foram fabricados com pólvora clandestina.

“Vocês fabricam fogos aí?”. “Não”, responde prontamente um assustado homem vestido de camiseta, bermudas e sandálias, com o rosto, peito e mãos cinzas de pólvora. Depois de uma breve negociação, ele, ainda desconfiado, concorda em mostrar seu local de trabalho. Em um galpão de aproximadamente 50 metros quadrados, escondido em local de difícil acesso, na zona rural, cinco homens produzem bombas de diversos tamanhos.

Sem a proteção de qualquer equipamento de segurança, eles manuseiam pólvora, papel e corda numa fabricação com molde industrial. Cada um com sua função. A poucos metros, um paiol improvisado armazena a produção já concluída. “Tá vendo essas casinhas aí? Todo mundo produz fogos por aqui”, diz o homem, apontando para todos os lados.

Sob um clima de medo e desconfiança, os chamados “traques de riscar” continuam a ser produzidos em larga escala nas fábricas clandestinas localizadas na zona rural de Santo Antônio de Jesus (a 192 km de Salvador) e do município vizinho de Muniz Ferreira (a 203 km de Salvador).

A compra de produtos como clorato e perclorato – matérias-primas para a fabricação dos chamados traques de riscar – é controlada pelo Exército. Isso faria supor que toda a matéria-prima teria procedência comprovada. Mas não é isso o que acontece. É nítido que há mais matéria-prima circulando pela cidade do que o Exército pode comprovar. “Aqui, produzir fogos é o mesmo que mexer com droga”, diz um dos trabalhadores que fazem fogos no galpão escondido na zona rural. Fábricas – Somente três empresas de Santo Antônio de Jesus possuem contratos de aquisição, ou seja, são legalizadas: a Big Fire Works, a Brasilian Fire Works e a Boa Vista. Mas apenas a terceira funciona efetivamente. A unidade pertence a Gilson e Berenice Bastos, ambos filhos de Vado dos Fogos e réus no processo 336688/2006, referente à explosão de 1998. A TARDE tentou contato com os três, mas nenhum deles se dispôs a falar.

Leia a íntegra deste texto e a série de reportagens especiais sobre a fabricação clandestina de fogos na edição impressa de A TARDE desta segunda-feira, dia 15.

Nenhum comentário: